DoJ apreende US$ 61 milhões em Tether ligados a golpes de investimento
O Departamento de Justiça dos EUA, com a HSI, apreendeu US$ 61 milhões em Tether desviados por esquemas de pig butchering; a própria Tether já congelou cerca de US$ 4,2 bilhões em ativos ilícitos.
Em fevereiro de 2026, o Departamento de Justiça dos EUA, com apoio da Homeland Security Investigations (HSI) de Charlotte, anunciou a apreensão de US$ 61 milhões em Tether ligados a golpes de investimento do tipo pig butchering. O caso ilustra como a mesma tecnologia que os fraudadores usam para mover dinheiro pode, quando rastreada, se voltar contra eles.
A mecânica da lavagem é reveladora: as vítimas eram induzidas a depositar fundos em plataformas de investimento falsas, que exibiam retornos artificialmente inflados. Assim que o dinheiro chegava às carteiras controladas pelos golpistas, era rapidamente roteado por muitas outras carteiras "para ocultar a natureza, a origem, o controle e a propriedade" dos recursos. Por trás do teclado, muitas vezes estão pessoas traficadas para complexos no Sudeste Asiático, forçadas a se passar por interesses românticos ou corretores de investimento em redes sociais e apps de namoro. Um dado dá a escala do problema — e da resposta: a Tether afirma já ter congelado cerca de US$ 4,2 bilhões em ativos ilícitos, incluindo quase US$ 250 milhões ligados a redes de golpe só desde junho de 2025.
O episódio importa porque mostra os dois lados da moeda das stablecoins: a rastreabilidade da blockchain permite seguir o dinheiro, e a capacidade de emissores como a Tether congelarem endereços cria um ponto de estrangulamento que a lavagem em dinheiro vivo não tem.
Para a vítima individual, porém, a recuperação segue incerta e lenta. A defesa continua sendo a prevenção: desconfiar de qualquer plataforma que mostre lucros consistentes e crescentes, especialmente quando a indicação veio de um contato recente de rede social.