Golpes de investimento com 'trading por IA' usam deepfakes de celebridades para atrair vítimas
Um relatório da Group-IB detalha como redes de golpe de investimento constroem funis completos de engano: vídeos deepfake de figuras públicas endossando plataformas de “IA de trading”, resenhas falsas em blogs e redes sociais coordenadas, e painéis fabricados que simulam lucros para induzir depósitos crescentes. As vítimas começam com depósitos de US$ 100 a US$ 250 e, na hora de sacar, são cobradas taxas fictícias que nunca liberam o dinheiro. O relatório lista sinais de alerta claros e a forma mais simples de verificação antes de investir.
O golpe descrito não é um ataque técnico, mas uma operação de engenharia social em escala industrial, construída sobre uma cadeia de credibilidade fabricada. Tudo começa com conteúdo deepfake — vídeos no YouTube em que figuras públicas, políticos ou empresários conhecidos aparentam endossar uma plataforma de negociação supostamente movida por inteligência artificial capaz de gerar “retornos garantidos e consistentes”. Esse conteúdo é reforçado por resenhas falsas publicadas em plataformas de baixo custo de moderação, como Medium, Blogger e Pinterest, e amplificado por redes coordenadas de contas em Facebook, Instagram e X que direcionam tráfego para o site fraudulento.
Uma vez na plataforma falsa, a vítima é convidada a registrar-se e fazer um depósito inicial modesto — tipicamente entre US$ 100 e US$ 250 — o suficiente para parecer baixo risco. A partir daí, um painel fabricado mostra lucros crescentes e consistentes, sem que nenhuma operação real de mercado esteja de fato acontecendo; o “algoritmo de IA” é apenas uma peça de teatro sobre números escolhidos a dedo para incentivar novos aportes. O golpe se fecha no momento do saque: a plataforma exige o pagamento de supostas “taxas de liberação” ou “taxas de saque” antes de devolver qualquer valor — taxas que, uma vez pagas, também desaparecem, e o saque nunca ocorre.
Os sinais de alerta são consistentes e fáceis de ensinar: promessa de retorno garantido ou anormalmente estável (mercados de verdade não funcionam assim), exigência de pagamento antecipado para “liberar” um saque, ausência de registro em reguladores como SEC ou FINRA, suporte ao cliente restrito a WhatsApp ou Telegram sem endereço físico verificável, e aceitação exclusiva de criptomoedas ou transferências internacionais — que dificultam o rastreamento e o estorno.
A verificação mais simples e eficaz, segundo o relatório, é buscar diretamente no site oficial do órgão regulador do mercado financeiro do próprio país (e não em links fornecidos pela plataforma) se aquela empresa está de fato registrada para operar. Também vale desconfiar sistematicamente de qualquer vídeo de “endosso” de uma celebridade a uma plataforma de investimento — é hoje mais barato produzir um deepfake convincente do que conseguir um endosso real —, e nunca pagar taxa alguma para “destravar” um saque: em qualquer plataforma legítima, taxas são descontadas do valor sacado, nunca cobradas à parte antes da liberação.