Golpistas faturam US$ 1,6 milhão com falso sorteio de criptomoedas no YouTube
Pesquisadores da Group-IB identificaram uma campanha de golpe de "duplicação de criptomoedas" veiculada em transmissões ao vivo falsas no YouTube, usando vídeos manipulados de figuras conhecidas do mercado cripto. Em poucos dias, os criminosos arrecadaram cerca de US$ 1,6 milhão, distribuídos por dezenas de carteiras. Algumas variantes do golpe iam além, solicitando a seed phrase da carteira da vítima, o que dava aos fraudadores controle total sobre os fundos.
O golpe identificado pela Group-IB segue um roteiro já conhecido no submundo cripto, mas ganhou escala relevante ao migrar para o YouTube após ser reprimido em outras redes sociais. Canais legítimos, aparentemente comprometidos ou comprados de terceiros no mercado underground, eram rebatizados temporariamente com a identidade visual de grandes nomes das criptomoedas e passavam a exibir transmissões ao vivo falsas prometendo dobrar qualquer valor em Bitcoin ou Ethereum enviado a um endereço de carteira.
A engenharia social por trás do esquema explora dois gatilhos clássicos: urgência (a "promoção" teria tempo limitado) e prova social artificial, com contadores falsos de visualizações e comentários automatizados simulando pessoas recebendo o dobro do valor enviado. Algumas transmissões fraudulentas chegaram a acumular dezenas de milhares de visualizações, o que demonstra o alcance que essas campanhas conseguem em pouco tempo. Em variantes mais agressivas, a vítima era induzida a informar a seed phrase de sua carteira sob o pretexto de "validar" a conta — nesse caso, não é o depósito voluntário que causa o prejuízo, mas o comprometimento total da carteira.
Tecnicamente, o golpe depende de infraestrutura descartável: dezenas de carteiras de destino são rotacionadas para dificultar rastreamento e bloqueio, e os canais comprometidos são abandonados assim que sinalizados pela plataforma ou pela comunidade. Isso torna a resposta reativa (denúncia após o fato) pouco eficaz, favorecendo a necessidade de detecção proativa por parte das plataformas de vídeo e de monitoramento de marca por empresas de segurança.
Para o usuário final, a regra prática é simples e deveria ser tratada como absoluta: nenhuma promoção legítima de criptomoedas duplica valores enviados, e nenhuma entidade confiável jamais pede a seed phrase de uma carteira. Desconfiar de transmissões ao vivo não oficiais de celebridades, verificar a autenticidade do canal (data de criação, histórico de vídeos, selo de verificação) e nunca enviar fundos ou frases-semente a partir de um link visto em live são as principais barreiras de proteção antes que o prejuízo ocorra.