Group-IB: 28% do dinheiro roubado em fraudes desaparece nos primeiros 15 minutos após a transferência
Um relatório da Group-IB mostra que mais de um quarto dos valores desviados em fraudes financeiras já foi sacado ou movimentado 15 minutos após a transação fraudulenta, chegando a 53% em uma hora e mais de 85% em 24 horas. O documento argumenta que o modelo tradicional de resposta a fraude — abrir caso, escalar entre times, investigar por e-mail — foi desenhado para uma era de liquidação em dias e está estruturalmente incompatível com pagamentos instantâneos.
A Group-IB publicou uma análise sobre o descompasso entre a velocidade dos pagamentos instantâneos e a velocidade da resposta antifraude nas instituições financeiras. O dado central é contundente: 28% dos fundos desviados em fraudes já saíram do alcance da vítima e da instituição em apenas 15 minutos após a transferência fraudulenta ser efetivada, número que sobe para 53% em uma hora e ultrapassa 85% em 24 horas.
O argumento técnico por trás do relatório é que sistemas de pagamento em tempo real (como PIX no Brasil, ou equivalentes como Faster Payments e SEPA Instant na Europa) eliminaram a janela de compensação que antes dava dias para bancos e operadoras identificarem e reverterem transações suspeitas. O fluxo de trabalho antifraude tradicional, porém, não acompanhou essa mudança: ainda depende de analistas humanos abrindo casos, cruzando informações entre times diferentes e escalando por e-mail ou sistemas de chamado — um processo medido em horas ou dias, não minutos.
A proposta central do relatório é medir e otimizar o chamado 'signal-to-action time': o intervalo entre o momento em que uma informação de risco existe (um IP suspeito, uma credencial vazada, um kit de phishing ativo) e o momento em que essa informação efetivamente bloqueia ou trava uma transação. Isso exige três mudanças estruturais: decisões de risco tomadas durante a própria sessão do usuário (e não depois que o pagamento já foi liquidado); bases de inteligência pré-carregadas com indicadores de phishing e credenciais comprometidas, em vez de reagir depois do fato; e propagação de sinais de risco para todas as camadas de defesa em minutos, não apenas quando um caso é formalmente fechado.
Na prática, isso significa que engenheiros e times de risco devem tratar a detecção de fraude como um problema de latência, não apenas de precisão do modelo. Um modelo de risco excelente que leva 40 minutos para gerar uma ação de bloqueio já chega tarde para boa parte dos casos reais. Bancos, fintechs e provedores de pagamento que operam PIX ou trilhos instantâneos equivalentes deveriam auditar hoje quanto tempo, na prática, decorre entre a geração de um sinal de risco e a ação de contenção — e tratar esse número, não apenas a taxa de detecção, como métrica prioritária de antifraude.