Protocolo com prova de conhecimento zero tenta equilibrar sigilo bancário e conformidade AML/CFT em moeda digital de banco central
Um estudo propõe um protocolo de liquidação interbancária para CBDC (moeda digital de banco central) em redes Ethereum permissionadas que mantém a instituição pagadora publicamente identificável para fins de conformidade, mas oculta criptograficamente o destinatário, o valor e o conteúdo da transação. Testado em uma rede de cinco nós com bancos comerciais, banco central e depositária de valores, o sistema liquida transações em 8 a 16 segundos, com verificação de prova em cerca de 1 milissegundo. O modelo de 'anonimato relaxado' é desenhado especificamente para permitir rastreabilidade regulatória de AML/CFT sem expor fluxos financeiros bilaterais sensíveis a todos os participantes da rede.
O trabalho parte de um dilema real enfrentado por sistemas de liquidação de CBDC construídos sobre tecnologia de razão distribuída (DLT): a transparência que viabiliza verificação sem confiança entre participantes também expõe, a todos os nós da rede, informações comercialmente sensíveis sobre quem transaciona com quem e em que volume — algo que bancos centrais e comerciais normalmente não aceitariam tornar público. A proposta resolve essa tensão com um desenho de 'anonimato relaxado do remetente': a instituição que inicia a transferência permanece publicamente identificável na cadeia, servindo como âncora de responsabilização para reguladores, enquanto o destinatário, o valor e a carga de negócio da operação são criptograficamente ofuscados.
Por baixo do capô, o protocolo roda sobre Hyperledger Besu com consenso QBFT e combina provas de conhecimento zero Groth16 sobre a curva BN254, compromissos de hash Poseidon organizados em uma árvore de Merkle incremental e criptografia ECIES multi-destinatário para a carga útil — uma arquitetura no mesmo espírito de pools sigilosos como os usados em criptomoedas com foco em privacidade, porém adaptada para rodar em rede permissionada e regulada. Um contrato NoteRegistry na própria cadeia armazena as notas cifradas como um log append-only, eliminando a necessidade de um custodiante confiável fora da cadeia. O ciclo de vida da transação passa por três estados: blindagem (shield, entrada de fundos públicos no pool privado), transferência confidencial entre participantes, e desblindagem (unshield, saída de volta para o razão público).
A relevância para antifraude e AML está em que esse tipo de arquitetura de divulgação seletiva é exatamente o tipo de infraestrutura que equipes de compliance vão precisar entender à medida que CBDCs e stablecoins institucionais avançam para produção. 'Confidencial' aqui não significa 'anônimo': o desenho preserva deliberadamente um ponto de ancoragem de identidade (a instituição remetente) que pode ser usado por reguladores e investigadores para acionar a rastreabilidade da 'travel rule' e de obrigações de AML/CFT, diferentemente de esquemas de privacidade total que dificultam investigação de lavagem de dinheiro.
Para equipes de compliance avaliando arquiteturas de liquidação baseadas em blockchain, o ponto prático é distinguir designs de confidencialidade auditável — que preservam mecanismos de revisão para reguladores — de designs de anonimato pleno, que tendem a ser incompatíveis com obrigações de AML/CFT. Vale notar também uma ressalva dos próprios autores: a implementação de prova de conceito ainda usa eventos indexados por proprietário no NoteRegistry, o que pode vazar metadados; é um lembrete de que protótipos acadêmicos como este exigem auditoria de privacidade adicional antes de qualquer uso em produção.