GPTs personalizados falsos espalham RAT por meio de ataques ClickFix
Criminosos criaram GPTs personalizados falsos, promovidos em anúncios patrocinados do Google, que redirecionam vítimas para páginas que imitam uma verificação da Cloudflare e as induzem a colar comandos PowerShell no terminal. O comando dispara uma cadeia de infecção em múltiplas etapas que termina na instalação de um RAT com acesso a desktop remoto, câmera e microfone.
A campanha explora a confiança que usuários depositam em ferramentas de IA: em vez de atacar o ChatGPT oficial, os operadores registram GPTs customizados com nomes como "Plus 5.6" e os impulsionam via anúncios patrocinados no Google, aproveitando o selo de legitimidade da marca OpenAI. Quem clica é levado a um site de apoio (inclusive hospedado em domínios como Google Sites) que aplica a técnica ClickFix: uma tela de verificação falsa da Cloudflare instrui a vítima a abrir o "Executar" do Windows e colar um comando — na prática, o primeiro elo de uma cadeia de infecção.
Por dentro, o ataque é elaborado em várias fases: o comando inicial instala um MSI malicioso, que por sua vez carrega um aplicativo legítimo assinado digitalmente ao lado de uma DLL adulterada (técnica de DLL sideloading) para evitar antivírus. Em uma das fases mais sofisticadas, o malware monta um sistema de arquivos criptografado próprio, descrito como um "zip caseiro" com mais de mil entradas de índice, e garante persistência através de uma tarefa agendada disfarçada de "Canon Configuration Reader". O resultado final é um RAT capaz de acesso remoto total, captura de áudio e vídeo, varredura de arquivos e execução de payloads adicionais.
O ângulo de fraude aqui é direto: um RAT com esse nível de acesso permite observar sessões de home banking, capturar credenciais digitadas, interceptar códigos de segunda etapa e até assumir o controle da máquina durante uma autenticação — abrindo caminho para fraude financeira e roubo de identidade muito além do comprometimento inicial. É o tipo de acesso que normalmente precede fraudes bancárias e sequestro de contas.
Para se proteger, o principal é nunca colar comandos em janelas de "Executar" ou terminal a pedido de um site, por mais legítima que a página pareça — nenhuma verificação de segurança real exige isso. Empresas devem restringir a execução de PowerShell para usuários comuns, monitorar processos de shell iniciados a partir do navegador e desconfiar de anúncios patrocinados para ferramentas de IA, preferindo sempre os links oficiais da OpenAI. Times de segurança também devem ficar atentos a tarefas agendadas com nomes de dispositivos de hardware (impressoras, scanners) como sinal de persistência disfarçada.