Campanha usa GPTs falsos do ChatGPT e anúncios patrocinados para instalar RAT que rouba dados de 17 navegadores
Pesquisadores da Huntress identificaram ao menos 40 incidentes em que criminosos usaram anúncios patrocinados do Google e páginas falsas imitando 'Custom GPTs' do ChatGPT para induzir vítimas a copiar e colar comandos PowerShell (técnica ClickFix), instalando um RAT completo disfarçado de atualizador de impressora. O malware dá controle remoto total da máquina e extrai dados de 17 navegadores diferentes — exatamente o tipo de acesso usado depois para sequestro de contas e fraude financeira, mesmo que o artigo original não nomeie a motivação final dos operadores.
A campanha documentada pela Huntress explora a confiança crescente em ferramentas de IA: vítimas clicam em anúncios patrocinados do Google que parecem levar a um 'GPT customizado' oficial dentro do domínio chatgpt.com. Ao interagir, recebem a instrução de acessar um suposto 'domínio de backup' — na prática um site no Google Sites com um CAPTCHA falso, parte da técnica conhecida como ClickFix, em que a própria vítima é convencida a executar o comando malicioso manualmente, contornando boa parte das defesas que dependem de bloquear downloads automáticos.
Por dentro, a cadeia de infecção é propositalmente complexa para dificultar detecção: o comando colado pela vítima dispara um PowerShell que usa um IP codificado em formato decimal (para escapar de filtros baseados em padrões de URL), baixa um script ofuscado com números negativos e instala um pacote MSI disfarçado de 'Advanced Printer Configuration Reader'. A partir daí, o malware usa DLL sideloading — carregando uma biblioteca maliciosa através de executáveis legitimamente assinados por fabricantes como Canon e Stardock — e decodifica o payload final a partir de um arquivo de áudio WAV aparentemente inofensivo.
O que torna esse RAT relevante para quem acompanha fraude digital, e não apenas segurança genérica, é o escopo de coleta: além de sessões de desktop remoto e captura de tela, câmera e áudio, o malware varre dados de 17 navegadores distintos — ou seja, cookies de sessão, credenciais salvas e tokens de autenticação. Esse tipo de coleta é o insumo clássico para account takeover bancário, fraude via cartão salvo em e-commerce e sequestro de contas corporativas, mesmo quando a campanha inicial não tem um alvo financeiro declarado — o acesso costuma ser revendido ou usado por operadores diferentes do estágio de distribuição.
Como o malware se reinstala sozinho via tarefas agendadas e chaves de registro Run, a defesa não pode se apoiar apenas em assinaturas de arquivo ou nomes de binário (que mudam a cada variante). Os indicadores comportamentais citados pelos pesquisadores incluem PowerShell iniciando msiexec a partir de um MSI nomeado com GUID em pasta temporária, binários de fabricantes como Canon ou Stardock rodando de localizações fora do padrão em AppData, e persistência que retorna após remoção manual. Para o usuário final, a defesa mais simples continua sendo não confiar em anúncios patrocinados para acessar ferramentas de IA e nunca colar comandos no terminal ou PowerShell a pedido de uma página web, por mais oficial que pareça.