Milk Dragon: kit de phishing AiTM usa anúncios falsos de desconto no Facebook e TikTok para roubar cartões e sessões autenticadas
Pesquisadores do Group-IB identificaram o Milk Dragon (também chamado NaiLong), um kit de Phishing-as-a-Service ativo desde outubro de 2025 que já gerou 258 páginas falsas em 66 países, impersonando 21 marcas conhecidas. Diferente do phishing tradicional baseado em medo e urgência, o kit atrai vítimas com anúncios de grandes descontos em marketplaces sociais e usa uma técnica de adversary-in-the-middle para interceptar cartões de crédito, contas PayPal e até tokens de autenticação multifator em tempo real. O modelo de assinatura, a partir de US$ 300/mês, e o painel de gestão de campanhas mostram um ecossistema criminoso profissionalizado e de fácil acesso para terceiros.
O Group-IB documentou o Milk Dragon, também rastreado como NaiLong, um kit de phishing vendido como serviço (Phishing-as-a-Service) por assinatura mensal ou anual a partir de US$ 300. Ativo desde outubro de 2025, o kit já foi usado para montar 258 páginas de phishing distribuídas em 66 países, impersonando 21 marcas de cosméticos, alimentos, brinquedos e supermercados, além de reproduzir 36 templates de autenticação de instituições financeiras diferentes. A distribuição ocorre por anúncios pagos no Facebook Marketplace e no TikTok oferecendo descontos agressivos em produtos de marcas como LEGO e Calvin Klein.
Tecnicamente, o diferencial do kit é o uso de adversary-in-the-middle (AiTM): em vez de apenas copiar uma tela de login estática, um plugin chamado BytePress atua como proxy em tempo real entre a vítima e o site legítimo, repassando as informações digitadas para o serviço real e devolvendo a resposta, enquanto mantém uma conexão WebSocket persistente com o servidor de comando e controle do operador. Isso permite capturar não só senha e dados de cartão, mas também cookies de sessão e códigos de autenticação multifator no momento em que são gerados — ou seja, o kit consegue sequestrar sessões já autenticadas, tornando o MFA tradicional baseado em código (SMS ou aplicativo OTP) insuficiente como barreira.
A engenharia social usada também rompe com o padrão clássico de phishing baseado em multas, bloqueios de conta ou ameaças urgentes: o Milk Dragon explora o medo de perder uma oportunidade (FOMO) com descontos que parecem bons demais para ser verdade, veiculados organicamente em redes sociais, onde o contexto de compra cotidiana reduz a desconfiança natural da vítima em comparação com um e-mail de alerta. O painel do operador acompanha visitantes, taxa de conversão e dados completos de cada vítima capturada, evidenciando uma operação criminosa com métricas e gestão de campanha equivalentes às de um negócio legítimo de marketing.
Para se proteger, o recomendado é desconfiar de descontos muito acima do normal anunciados em redes sociais, verificar o domínio de checkout antes de inserir dados de pagamento (ferramentas como urlscan.io ou VirusTotal ajudam a checar links suspeitos) e notificar o banco imediatamente em caso de suspeita de comprometimento. Para empresas e instituições financeiras, a defesa passa por monitorar o registro de domínios semelhantes ao próprio, detectar padrões anormais de checkout e cartão, e priorizar métodos de autenticação resistentes a phishing, como chaves FIDO2/passkeys, que não podem ser repassados por um proxy AiTM — ao contrário de códigos OTP, que o Milk Dragon demonstra ser capaz de capturar e reutilizar em tempo real.