Golpe de falso suporte técnico usa anúncios do Google para sequestrar o navegador da vítima
A Netskope identificou um kit de phishing distribuído via Google Ads que se disfarça de loja online legítima e, após o clique, força o navegador em tela cheia para exibir um alerta de segurança falso atribuído à Microsoft ou à Apple. A página esconde a barra de endereço e o cursor, bloqueia a tecla Esc e outros atalhos de saída, toca alarmes sonoros e repete avisos insistindo para a vítima telefonar imediatamente para um falso suporte técnico.
Esse é um golpe clássico de tech support scam atualizado com malvertising: em vez de depender de pop-ups genéricos ou e-mails, os criminosos compram espaço publicitário no Google Ads e disfarçam o anúncio como uma loja online comum, o que aumenta a taxa de cliques porque a vítima não espera ser atacada ao acessar um resultado pago aparentemente inofensivo.
A parte tecnicamente mais interessante do golpe está no sequestro da própria janela do navegador. A página usa a API requestFullscreen() do JavaScript para forçar o modo de tela cheia já no primeiro clique, escondendo a barra de endereço e as abas — os dois elementos que normalmente permitiriam à vítima perceber que está em um site suspeito. Em seguida, o cursor do mouse é ocultado, a tecla Esc e outros atalhos de saída são bloqueados via JavaScript, sons de alarme são tocados e o desempenho do navegador é deliberadamente degradado para simular que o computador está realmente infectado. O conteúdo exibido é personalizado por sistema operacional: no Windows, imita um falso Microsoft Defender Security Center; no macOS, apresenta-se como um aviso da Apple.
O objetivo final não é só assustar: a mensagem insiste repetidamente para a vítima ligar imediatamente para um número de suporte, e esse contato humano é o ponto onde o golpe se converte em fraude financeira — normalmente pedindo pagamento via cartão-presente, transferência ou acesso remoto ao computador (via ferramentas como AnyDesk ou TeamViewer) para supostamente remover o problema, momento em que o golpista pode roubar credenciais bancárias, instalar malware ou simplesmente cobrar por um serviço inexistente.
Para reconhecer o golpe, vale lembrar que nenhum sistema operacional legítimo trava o navegador em tela cheia, bloqueia o Esc ou pede para a vítima telefonar para um número exibido na tela — alertas reais de segurança do Windows ou macOS aparecem na interface do sistema, não dentro de uma página web. Se a tela ficar presa, é possível forçar o fechamento do navegador via gerenciador de tarefas (Ctrl+Alt+Del no Windows, Cmd+Option+Esc no macOS) mesmo sem acesso ao Esc ou à barra de endereço. Na prática, o ideal é nunca ligar para números exibidos em alertas pop-up, verificar qualquer aviso de segurança apenas pelos canais oficiais do fabricante, usar bloqueadores de anúncio e desconfiar de resultados patrocinados para buscas como suporte técnico ou atendimento ao cliente.