Campanha de phishing usa anúncios falsos de ferramentas de IA para sequestrar contas de publicidade com bypass de MFA
Pesquisadores da Island identificaram uma campanha de phishing ativa que se disfarça de anúncios de ferramentas de IA populares — Gemini, Claude, ChatGPT, Perplexity e Muse — para atrair profissionais de marketing e mídia paga. A operação usa uma técnica de "navegador dentro do navegador" com barra de endereço falsificada para capturar credenciais e tokens de MFA em tempo real, visando contas de anúncios corporativas que já têm método de pagamento e orçamento aprovados.
A empresa de segurança Island divulgou, via boletim CyberheistNews da KnowBe4, uma pesquisa sobre uma campanha de phishing ativa que explora o interesse crescente de agências e compradores de mídia em ferramentas de IA generativa aplicadas à publicidade. Os operadores monitoram lançamentos de produtos reais em tempo quase real — por exemplo, adicionaram uma isca falsa de "Muse Ads" apenas oito dias depois que a Meta lançou seu agente Muse AI —, o que mostra um ciclo de atualização rápido e profissionalizado, típico de kits de phishing-as-a-service.
Cada anúncio falso oferece uma promessa específica e plausível para quem trabalha com tráfego pago: o "ChatGPT" promete briefings automáticos de campanhas do Google Ads, o "Claude" oferece um portal próprio de publicidade, todos usando jargão técnico do setor (MCC, ROAS) para parecer legítimos a um público profissional em vez do usuário comum. Ao clicar, a vítima não é redirecionada a um site externo convencional: a página abre uma janela de navegador falsa renderizada dentro do próprio navegador real, com uma barra de endereço fraudulenta exibindo domínios confiáveis como accounts.google.com ou um provedor de identidade (Okta), enquanto o conteúdo é efetivamente servido pelo domínio malicioso. Essa técnica de "browser-in-the-browser" funciona porque o usuário confia visualmente no cadeado e na URL exibidos, que são inteiramente falsificados via HTML/CSS.
O backend da campanha funciona como um proxy adversary-in-the-middle: credenciais digitadas são capturadas e repassadas em tempo real ao provedor real, e quando o login verdadeiro solicita um segundo fator (MFA), o operador consegue escolher qual desafio de autenticação apresentar à vítima — favorecendo o método mais fácil de interceptar (como SMS ou código numérico) em vez de um fator resistente a phishing. Isso permite sequestrar sessões autenticadas mesmo de contas protegidas por MFA tradicional. O alvo não é o usuário final, mas contas de publicidade corporativas de agências e administradores de contas gerenciadas (MCC), justamente porque essas contas já têm cartão ou forma de pagamento cadastrada e orçamento aprovado — uma vez sequestrada, a conta pode ser usada de imediato para rodar anúncios fraudulentos ou desviar o orçamento da vítima, sem precisar cadastrar um novo meio de pagamento.
A defesa mais eficaz contra esse tipo de ataque é o uso de MFA resistente a phishing (chaves de segurança FIDO2/WebAuthn ou passkeys, que validam a origem criptograficamente e não podem ser repassadas por um proxy), já que SMS e códigos TOTP comuns são interceptáveis pela técnica descrita. Equipes de mídia paga devem ser treinadas a nunca seguir um login a partir de um anúncio — acessando sempre as plataformas de IA e de ads diretamente pelo favorito ou aplicativo oficial — e as empresas devem monitorar contas de anúncio quanto a alterações de método de pagamento, novos administradores ou picos de gasto fora do padrão, que são os primeiros sinais de uma conta comprometida já sendo monetizada pelo atacante.