Classiscam: o golpe de scam-as-a-service dos falsos anúncios se espalha pela Ásia Central
A Group-IB documentou a expansão do Classiscam, esquema de fraude "como serviço" que usa bots de Telegram para gerar em segundos páginas falsas de marketplaces, transportadoras e até órgãos governamentais. Operadores contratados abordam vendedores em anúncios classificados, sugerem migrar a conversa para o Telegram e induzem a vítima a "confirmar o recebimento do pagamento" num site clonado que na verdade rouba dados de cartão e login bancário. Na Ásia Central a investigação encontrou dezenas de domínios ativos mirando bancos e serviços de pagamento do Uzbequistão.
O Classiscam não é um golpe isolado, mas uma operação estruturada como serviço: existem operadores que abordam as vítimas, uma equipe de "suporte" que fabrica recibos e faturas falsas, e uma função de entrada de dados que processa as informações roubadas para saque. Essa divisão de trabalho é sustentada por bots de Telegram, como o identificado sob o nome "Namangun Team", que permitem a qualquer afiliado escolher o país-alvo e o serviço a ser clonado — banco, transportadora, cinema — e receber em segundos um link de phishing pronto para uso, já com formulário de login, upload de documentos e rastreamento de sessão para parecer legítimo.
O fluxo mais comum mira vendedores em plataformas de classificados: o golpista contata o anunciante, propõe migrar a conversa para o Telegram, alega estar em outra cidade e sugere um serviço de entrega para fechar o negócio. Em seguida envia um link que imita o site de uma transportadora real, pedindo que a vítima informe dados do cartão "para liberar o pagamento que já está retido". Como a lógica é inversa à de um golpe comum — a vítima acredita que vai receber dinheiro, não perder — a guarda costuma cair, e os dados bancários digitados vão direto para os servidores dos golpistas.
Uma segunda variante identificada na região mira quem busca benefícios sociais, replicando páginas de ministérios e órgãos públicos que pedem dados de filhos, telefone e cartão sob o pretexto de liberar um auxílio. A Group-IB mapeou dezenas de domínios ativos ligados a essa infraestrutura no Uzbequistão — como finuz[.]site, submituz[.]site e variações que imitam bancos e serviços de pagamento locais — sustentados por um serviço de infraestrutura pronta chamado "Falcon", que reduz drasticamente a barreira técnica para novos afiliados entrarem no esquema.
O reconhecimento prático passa por desconfiar de qualquer sugestão de tirar a negociação da plataforma de classificados e migrar para Telegram ou WhatsApp, e de compradores que alegam estar em outra cidade e insistem num serviço de entrega específico. A regra mais importante é lembrar que nenhuma transportadora ou marketplace legítimo pede dados completos de cartão para "liberar" um pagamento a favor do vendedor — esse pedido, por si só, já é a evidência do golpe.