Golpes de aluguel falso no Oriente Médio usam contratos fraudulentos e contas-mula
Fraudadores reaplicam anúncios legítimos de imóveis em plataformas populares, se passam pelo proprietário via WhatsApp e chegam a gerar contratos de aluguel dentro de sistemas oficiais de registro imobiliário usando contas invadidas ou criadas de forma sintética. A Group-IB estima perda mediana de US$ 3.064 por vítima na região, com o dinheiro escoando por e-wallets e contas-mula.
O golpe começa de forma banal: o criminoso copia fotos e descrição de um anúncio real de aluguel e o republica em nome próprio ou de uma identidade falsa. Ao ser contatado, ele migra a conversa para WhatsApp, onde constrói confiança respondendo perguntas e enviando mais fotos — tudo ainda dentro do script comum de golpe de aluguel.
O diferencial mais perigoso descrito pela Group-IB é a etapa seguinte: o golpista gera um contrato de aluguel dentro de um sistema oficial de registro imobiliário, usando conta invadida ou criada de forma sintética na própria plataforma governamental. Esse documento 'oficial' funciona como prova social decisiva, convencendo a vítima de que está lidando com uma transação legítima e destravando a transferência do valor do aluguel ou caução.
O dinheiro segue por dois caminhos: transferências indiretas via e-wallets vinculadas a contas de fraudador na própria plataforma de aluguel, que dão um buffer contra bloqueio imediato, ou transferências diretas para contas-mula, mais rápidas mas também mais expostas à detecção. A Group-IB rastreia essas redes de mulas cruzando indicadores técnicos (múltiplas contas no mesmo dispositivo, uso de VPN, GPS spoofing ou apps de clonagem), comportamentais (contas dormentes que subitamente ficam ativas) e de relacionamento (dispositivos e geolocalização compartilhados entre contas via análise de grafo).
Para quem procura imóvel, a defesa prática é não confiar apenas no documento apresentado: verificar a titularidade do imóvel por canal independente, visitar o local pessoalmente antes de qualquer pagamento e desconfiar de qualquer pressão para fechar negócio rápido. Para plataformas e bancos, a resposta passa por monitoramento de dispositivo e comportamento e compartilhamento de inteligência entre instituições para identificar contas-mula antes que o dinheiro saia do sistema.