Classiscam: fraude como serviço já soma US$ 64,5 milhões em golpes de classificados globais
A Group-IB atualizou o retrato do Classiscam, esquema de "fraude como serviço" nascido na Rússia em 2019 que automatiza phishing contra usuários de sites de classificados e marketplaces. Com bots do Telegram gerando páginas falsas de pagamento em segundos e uma hierarquia agora altamente especializada, o esquema já foi identificado em 79 países, imitando 251 marcas e movimentando US$ 64,5 milhões.
O Classiscam opera como um kit de phishing sob demanda: operadores anunciam produtos falsos (ou se passam por compradores) em plataformas de classificados e redirecionam a negociação para fora do site oficial, geralmente para um aplicativo de mensagens, onde enviam um link de "pagamento" ou "entrega" que na verdade é uma página clonada de banco ou serviço de logística.
A engenharia por trás do esquema é o que chama atenção: bots do Telegram geram, em segundos, formulários de phishing personalizados para bancos e serviços específicos — a Group-IB identificou páginas falsas para 35 bancos em 15 países — e a operação inclui até "páginas de verificação de saldo" que avaliam previamente quanto a vítima tem disponível antes de decidir o valor do golpe. Entre 2020 e 2023 a estrutura de papéis também evoluiu de três níveis simples (administradores, workers, operadores) para funções especializadas como gerentes de bot, criadores de conteúdo e coordenadores de transferência bancária, sinal de profissionalização crescente.
A escala é o que diferencia o Classiscam de golpes isolados: 1.366 grupos identificados entre 2020 e 2023, 38 mil participantes nos grupos analisados, presença em 79 países e falsificação de 251 marcas, com US$ 64,5 milhões em ganhos estimados — números que colocam o esquema entre os modelos de fraude como serviço mais bem-sucedidos já documentados.
Reconhecer o golpe é relativamente simples uma vez que se conhece o padrão: qualquer tentativa de tirar a negociação da plataforma oficial de classificados para "finalizar por fora", combinada com um link de pagamento que não é o gateway nativo do site, deve ser tratada como fraude. Do lado das empresas, a defesa passa por manter transações e conversas dentro do próprio marketplace (removendo o incentivo a migrar para apps de mensagens), detectar padrões de linguagem e comportamento típicos de bots de golpe, e compartilhar indicadores com bancos parceiros para bloquear as páginas clonadas rapidamente.