APT iraniano Mirage Kitten usa falsos testes de emprego para instalar malware e proíbe uso de IA para evitar detecção
O grupo iraniano Mirage Kitten está abordando engenheiros de software no LinkedIn com falsas ofertas de vaga em fintechs e empresas de aviação no Egito, Etiópia e Afeganistão. O 'teste técnico' enviado à vítima é, na verdade, um projeto trojanizado hospedado num link Amazon S3 legítimo, distribuindo os malwares NodeRabbit e PollCat. O golpe usa um truque inédito de engenharia social: proibir explicitamente o uso de assistentes de IA na revisão do código, justamente porque uma IA identificaria a importação maliciosa.
A campanha documentada pela Kaspersky mostra o Mirage Kitten recrutando vítimas através de perfis falsos de recrutador no LinkedIn, oferecendo vagas reais em setores críticos (fintech e aviação) e enviando, como etapa do processo seletivo, um desafio de programação hospedado em um bucket Amazon S3 — infraestrutura confiável que dificilmente levanta suspeita. O README do desafio impõe um prazo de três horas e proíbe expressamente o uso de ferramentas de IA para revisar o código, sob pretexto de avaliar a capacidade do candidato; na realidade, essa é uma defesa deliberada, já que um assistente de IA quase certamente sinalizaria a importação de um pacote npm desconhecido logo na primeira linha do projeto.
Tecnicamente, o pacote entrega o NodeRabbit, primeiro implante do grupo escrito inteiramente em Node.js e multiplataforma (Windows, Linux, macOS), que se comunica com servidores C2 hospedados na Azure usando criptografia AES-256-GCM e inclui checagens de sandbox (memória, núcleos de CPU, tempo de atividade da máquina) para evitar análise automatizada. Uma variante chega a disfarçar tráfego malicioso simulando requisições legítimas ao Google, Microsoft e Cloudflare antes de contatar o C2 real, e outra instala uma extensão falsa de VS Code disfarçada de 'GitHub Copilot Helper'. Já o PollCat, distribuído como um desafio de 'correção de código' em React, começa a se comunicar com o servidor de comando assim que a página carrega — antes mesmo de a vítima digitar o código de acesso de seis dígitos supostamente fornecido pelo recrutador, tornando irrelevante qualquer hesitação da vítima nessa etapa.
O caso ilustra uma tendência de golpes de 'falso emprego' que combinam pressão de tempo, prestígio da marca-isca e infraestrutura legítima (S3, Azure) para reduzir o ceticismo do alvo, ao mesmo tempo em que neutralizam preventivamente as ferramentas de defesa mais óbvias — nesse caso, os próprios assistentes de IA que hoje fazem revisão de código. Para desenvolvedores e recrutadores de TI, o alerta prático é: desconfiar de processos seletivos que proíbem ferramentas de análise, exigir prazos curtos sob pressão, ou pedir para rodar código de terceiros fora de um ambiente isolado (sandbox, VM descartável ou contêiner sem acesso à rede/credenciais reais). Testes técnicos legítimos raramente proíbem o uso de IA como parte do processo de avaliação de segurança do próprio código, e times de segurança corporativa deveriam tratar qualquer 'desafio de código' recebido por candidatos como potencial vetor de intrusão, exigindo execução isolada antes de qualquer revisão.